A bolsa não pagava um salário mínimo. Hoje a renda paga dez. Em 2018 a bolsa de pesquisa era R$ 800 — R$ 154 abaixo do piso legal. Hoje a mediana do coorte é R$ 17.073/mês: 10,5 salários mínimos, R$ 15.452 acima do piso, todo mês.
Trocada a régua, a leitura muda: em dólar, a mesma renda é 48% do que um dev de igual experiência ganha no mundo.
A trajetória, ano a ano
De R$ 400 a R$ 14.373 por mês em 13 anos
Um egresso em destaque, da bolsa de pesquisa ao cargo de hoje, contra a mediana do coorte na mesma experiência — não no mesmo ano: quem entrou depois está noutro ponto da carreira. Valores em reais de 2026.
R$/mês, a preços de 2026. A linha corta onde a amostra não alcança o mínimo — o buraco é a ausência do dado, não uma queda a zero.
- Intervalo
- 13 anos
- Crescimento real
- 17,7×
- Ao ano
- 24,7%
- Para dobrar
- 2,8 anos
O crescimento é medido em valor real. Em nominal, a inflação de 13 anos entraria como ganho.
A bolsa de partida era R$ 800/mês em 2018: 0,8 salário mínimo daquele ano (R$ 954). Bolsa nível VI, projeto Prodest/FAPES (valor documentado).
Acima do salário mínimo
A mesma renda medida na régua que o país usa. Entre 2012 e 2026 o mínimo subiu 161% em valor de face e apenas +21% em poder de compra — as duas leituras juntas são o ponto: o nominal quase sempre sobe, e é o real que diz se o piso melhorou.
salários mínimos. A linha corta onde a amostra não alcança o mínimo — o buraco é a ausência do dado, não uma queda a zero.
A linha tracejada é o próprio salário mínimo: nesta régua ele vale 1 em qualquer ano — cada ano divide a mediana pelo mínimo daquele ano, então os reajustes já estão dentro da conta. Em 2012 a mediana era 1,5 mínimos; em 2026, 10,5. Só anos com pelo menos 10 pessoas entram — Ano com menos pessoas que isso não vira ponto: a mediana seria de um punhado de gente, com o rótulo do coorte inteiro.
Na régua mundial
Mediana mensal em dólares, na faixa de experiência do coorte (8 a 13 anos). A barra listrada não é um país: é o cenário do brasileiro que recebe em dólar.
O coorte está em US$ 3.314/mês — 48% da mediana global e 25% da estadunidense. Cada ano converte pela taxa média DELE. Taxa única faria a série mostrar variação cambial como se fosse variação de salário.
Os que recebem em dólar
Mesmo país, mesma faixa de experiência — o que muda é a moeda em que o salário é pago.
2,6× — a razão entre os dois, mesmo país e mesma experiência.
A razão não é uma só
Nas faixas finas de experiência ela vai de 2,5× a 3,5×. Amostra pequena de cada lado: o número da faixa é indicação, não medida fina.
| Faixa | Em R$ | Em US$ | Razão | n (R$ · US$) |
|---|---|---|---|---|
| 6 a 8 anos | US$ 2.536 | US$ 6.500 | 2,6× | 134 · 17 |
| 9 a 13 anos | US$ 3.043 | US$ 10.000 | 3,3× | 163 · 15 |
| 14 anos ou mais | US$ 3.381 | US$ 8.333 | 2,5× | 184 · 25 |
| Todos | US$ 2.367 | US$ 8.167 | 3,5× | 782 · 62 |
Esse número é de 2023. Ainda vale?
Em vez de projetar o valor para hoje — a série oscila 17% ao ano por composição de amostra, várias vezes mais que a inflação, então projetar erraria mais do que corrigiria —, aqui está o mesmo corte medido em edições independentes. O mesmo corte (Brasil, 8 anos ou mais, BRL × USD) calculado em cada edição avaliada. Responde 'o número da edição de referência ainda vale?' com dado de outra amostra, em vez de trocar a referência por uma edição que não sustenta os recortes finos.
Os recortes por país e por moeda continuam saindo da edição 2023, e por dois motivos diferentes. A edição 2025 não pode ser referência porque deixou de publicar experiência PROFISSIONAL, e as colunas que ela traz no lugar medem outra população (trabalho de qualquer natureza, ou programação incluindo os anos de estudo). A edição 2024 poderia, mas tem menos da metade da amostra utilizável: usá-la derrubaria um país da lista e esvaziaria a comparação BRL×USD por faixa. Ver candidatas_a_referencia.
| Edição | Em R$ | Em US$ | Razão | n (R$ · US$) |
|---|---|---|---|---|
| 2022 | US$ 3.116 | US$ 7.192 | 2,3× | 435 · 43 |
| 2023 referência | US$ 3.162 | US$ 8.333 | 2,6× | 391 · 44 |
| 2024 | US$ 2.797 | US$ 7.500 | 2,7× | 198 · 25 |
Dos 50 egressos, 13 têm hoje empregador de fora do país, e 13 deles estão em sênior ou acima.
| Senioridade | Nacional | Exterior |
|---|---|---|
| Pleno | 1 | 0 |
| Sênior | 18 | 8 |
| Espec./Tech Lead | 18 | 5 |
O coorte inteiro
As mesmas referências na moeda de quem lê, e como o crescimento se distribui entre os 50 egressos.
Quanto cada um multiplicou a renda
A página mostra uma trajetória. No coorte inteiro o salto real (início → hoje) varia bastante: mediana 8,0×, de 1,5× a 17,7×.
O que isso significa para os números deste relatório
O prêmio internacional que o modelo calcula é de apenas +6% — e é um artefato. Os dois grupos são precificados na MESMA tabela brasileira: o modelo estima cada egresso pela mediana de mercado da faixa de experiência dele, e não sabe em que moeda ele recebe. O prêmio que sobra é resíduo de composição, não diferença de remuneração.
Se os egressos com empregador internacional fossem pagos no padrão OBSERVADO de brasileiros que recebem em dólar. Os 13 teriam US$ 8.333/mês ≈ R$ 42.935/mês — 26,5 salários mínimos, não 10,5.
ESTIMATIVA. A renda de cada ano é a mediana do coorte naquele ano, convertida pelo câmbio do próprio ano e deflacionada. Para uma pessoa concreta pode ser MAIOR ou MENOR.
Salário mínimo: IPEADATA série MTE12_SALMIN12 — Min. Economia/Trabalho. 2026 = R$ 1.621, reajuste de 6,8% — ganho real de 2,8%. Inflação: IBGE/SIDRA tabela 1736, variável 2289 (ganho real) · IBGE/SIDRA tabela 1737, variável 2266 (deflator).
Dados de jul/2026.